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Bike-Chat: Organismos Geneticamente Modificados

Categoria: Ciência

Bike-Chat: Organismos Geneticamente Modificados

Para participar do Bike-Chat é muito fácil: mande suas questões utilizando o formulário de CONTATO deste site. Foi o que fez Karine Kopp, estudante do Instituto Federal do Mato Grosso, campus de Várzea Grande, que queria saber a opinião do professor Nélio sobre esses organismos. Confira:

PARA ENTENDER MELHOR

Sobre organismos geneticamente modificados e a vacina transgênica da hetatite:

A identificação dos genes de interesse permite isolá-los e transferi-los para organismos mais fáceis de cultivar. Esses organismos têm sido chamados de organismos geneticamente modificados, ou OGM, mas nem sempre têm genes de outras espécies, condição chamada genericamente de transgenia. Por exemplo, quando se modifica uma espécie vegetal de maneira a desativar definitivamente um gene ou conjunto de genes, a modificação é genética, mas envolve apenas uma mesma espécie. Uma variedade de tomate que foi desenvolvida assim retarda o amadurecimento dos frutos.

A insulina humana tem 51 aminoácidos dispostos em duas cadeias. Esse hormônio é crucial para o controle da glicose sanguínea e as pessoas que são diabéticas dependem da reposição rotineira dele. Durante muitos anos, a insulina farmacêutica foi obtida do pâncreas de porcos, o que trazia uma série de riscos para os diabéticos. Além de, entre outros, o risco da transmissão de vírus, a molécula da insulina do porco apresenta um aminoácido diferente na sequência de aminoácidos (o boi possui três aminoácidos diferentes), o que a faz menos eficiente em seres humanos.

As proteínas da superfície do vírus causador da hepatite podem ser reconhecidas pelo sistema de defesa humano, que fabrica anticorpos contra elas. No entanto, isso só ocorre depois que a doença já se instalou no fígado. O vírus da hepatite B poderia ser usado diretamente como vacina, injetando-se partículas virais enfraquecidas pelo calor, por exemplo. Porém o calor pode modificar as proteínas, tornando a vacina ineficaz ou perigosa, pelo risco de alguns vírus permanecerem ativos.

Para evitar esses problemas, uma engenhosa vacina foi desenvolvida a partir da porção do DNA viral que codifica a proteína de superfície. Como a porção proteica da superfície viral provoca reação imunológica, é um antígeno natural (HBsAg). A parte do DNA que a codifica foi inserida em plasmídeos de levedura de cerveja (Saccharomyces cerevisae), que passa a fabricar essas proteínas ativamente. O líquido da cultura dessas leveduras é então purificado e preparado para aplicação. Trata-se de uma vacina de antígeno recombinante produzido por uma levedura transgênica. É utilizada no Brasil há vários anos, em doses de 10 ou 20 microgramas, aplicadas em recém-nascidos e adultos, e imuniza eficazmente de 95 a 100% das pessoas vacinadas.

No Brasil, os produtos transgênicos passam por um processo de desenvolvimento, teste e liberação. Após audiências públicas nas quais são apresentados os resultados de testes de campo, os produtos transgênicos devem receber aprovação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para liberação comercial. Já foram liberadas para plantio e comercialização diversas variedades de soja, milho e algodão geneticamente modificadas.

Para Saber mais:

BIZZO, N. Novas Bases da Biologia (Volume 3), São Paulo: IBEP (2016), páginas 146-147. Consulte online: https://s3.amazonaws.com/online.fliphtml5.com/tlcm/sgcu/index.html

Biologia Novas Bases v 3

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