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Nota Técnica: a revisão da tradução do Origin…

Categoria: Animais

Nota Técnica: a revisão da tradução do Origin…

NOTA TÉCNICA

sobre a Revisão Técnica da tradução da primeira edição de “A Origem das Espécies”, da EDIPRO (2018)

 

Existem quatro tipos de notas ao longo do livro na edição da EDIPRO (2018):

N.T. são as notas inseridas pelo tradutor (Daniel Moreira Miranda)

N.E. são notas inseridas pela editora (Carla Bitelli)

N.P. são notas do preparador (Danilo Di Giorgi)

N.R.T. são as notas do revisor técnico (Nelio Bizzo)

 

OBRAS de REFERÊNCIA

Por uma questão editorial, não foi utilizado o padrão acadêmico de referências bibliográficas, inclusive para ser fiel à edição original. Há apenas uma referência bibliográfica no prefácio, em nota de rodapé, justificada pela sinalização que confere sobre a linha historiográfica adotada. A tradução foi revisada com o auxílio de dicionários da época na qual a obra foi escrita, de modo a manter o sentido original. A depender do assunto, diferentes dicionários foram utilizados, entre eles:

A Dictionary of the English Language (Samuel Johnson), 2 voles, (1833)

Dictionary of the English Language (Noah Webster), (1850)

A revisão técnica se baseou em outras traduções para o português, o que foi particularmente importante para os termos técnicos, principalmente nomes de espécies animais, sendo também necessário recorrer a diferentes fontes bibliográficas.

No caso das traduções brasileiras do Origem das Espécies, foram utilizadas como referência, as da:

6ª. Edição, por Carlos Duarte e Anna Duarte, Ed Martin Claret, (2013);

1ª. Edição, por Eugênio Amado, Ed. Itatiaia & EDUSP, (1985)

6ª. Edição (condensada), por Aulyde Soares (rev. téc. de Fábio de Melo Sene), Ed Da UnB, (1982)

6ª. Edição, por Eduardo Fonseca (sic), Ed. Hemus, (1981)

Foram também utilizadas as traduções portuguesas da:

6ª. Edição, por Ana Afonso (rev. téc. de Nuno Gomes), Ed. Planeta Vivo (2009)

6ª. Edição, por Joaquim da Mesquita Paul, Lello & Irmão Eds, (1913)

Além de, obviamente, ter sido utilizada a versão original do Origin of Species presente em diferentes em diferentes sites da internet (inclusivo o do Gutenberg Project), foi utilizado também  The Voyage of the Beagle, Variations of Animals and Plants under Domestication,  e seu Big Species Book, como aparece adiante referenciado.

Foram referências bibliográficas importantes, ainda:

Costa, J.T. The annotated Origin. The Belknap Press, Harvard University Press, (2009)

Desmond, A & J. Moore. A causa sagrada de Darwin. São Paulo: Record, (2009).

Desmond, A & J. Moore. Darwin: a vida de um evolucionista atormentado. São Paulo: Geração Editorial, (6a. ed, 2009).

Gaskell, Jeremy. Who killed the Great Auk? Oxford & New York: Oxford University Press, (2000).

Herbert, S. (ed) The Red Notebook of Charles Darwin. British Museum & Cornell Univ. Press.(1980).

Hudson, P. and D Newborn. A Manual of Red Grouse and Moorland Management. Fordingbridge: Game Conservancy Ltd, (1995)

Johnsgard, P.A. The Grouse of the World. London & Camberra: Croom Helm, (1983).

Stauffer, R.(Ed). Charles Darwin’s Natural Selection. Cambridge University Press, (1975).

Muitas outras obras fontes foram utilizadas, em especial as presentes nos sites http://Darwin-online.org.uk (Darwin On-line) e http://www.darinproject.ac.uk (Darwin Correspondence Project).

 

Disclaimer sobre o texto das capas da edição da EDIPRO (2018)

A revisão técnica não incluiu os textos da capa e contra-capa do livro, preparados sem a participação do revisor técnico. Alguns leitores podem considerá-los excessivos, mas deve ficar claro que foram preparados sem conhecimento do revisor técnico, que agradeceu muito a generosidade das referências aos editores, mas solicitou mudanças para que ficassem mais neutras, as quais não puderam ser atendidas devido ao cronograma de impressão da obra.

Sobre o termo “evolução” da edição da EDIPRO (2018)

A revisão técnica incluiu a revisão da tradução de diferentes termos e sugeriu manter o mais próximo possível do original todos os detalhes. A última frase da última página do livro  têm nota explicativa sobre o emprego do termo “evolução” , como substantivo, em lugar da flexão verbal  “evolved”. Ao traduzir literalmente a frase, seria induzida no leitor a ideia de que a evolução é um processo que ocorreu no passado, e que não mais ocorreria no presente, além de deslocar o termo-chave para o meio da frase, o que conferiria uma impressão oposta ao entendimento do autor do livro. Prevaleceu o entendimento que são equivalentes as expressões  “os organismos têm evoluído” e “os organismos estão em evolução”, considerando o sentido original da expressão.

A tradução portuguesa de 1913, feita por Joaquim da Mesquita Paul, termina assim:  “(…) Ora, enquanto que o nosso planeta, obedecendo à lei fixa da gravitação, continua a girar na sua órbita, uma quantidade infinita de belas e admiráveis formas, saídas de um começo tão simples, não têm cessado de se desenvolver e desenvolvem-se ainda!”. A tradução brasileira de 1981, feita por Eduardo Fonseca (sic), é muito similar: “(…) Ora, enquanto o nosso planeta, obedecendo à lei fixa da gravitação, continua a girar na sua órbita, uma quantidade infinita de belas e admiráveis formas, originadas de um começo tão simples, não cessou de se desenvolver e desenvolve-se ainda!”.  A tradução brasileira condensada de 1982, de Aulyde Soares, termina com a frase “(…) e que, enquanto este planeta girava de acordo com a lei fixa da gravidade a partir de tão simples começo, evoluíram inúmeras formas mas belas e mais maravilhosas.”.  Já a tradução de Eugenio Amado, de 1985, utiliza tanto “evoluíram” como “desenvolvimento”: “(…) e que, enquanto este planeta continua a girar, obedecendo à imutável Lei da Gravidade, as formas mais belas, mais maravilhosas, evoluíram a partir de um início tão simples, e ainda prosseguem hoje em dia neste desenvolvimento.”. A tradução portuguesa de 2009, de Anna Afonso, optou por “(…) e enquanto este planeta girava de acordo com a lei da gravitação universal, a partir de um princípio tão simples, foram desenvolvidas, e continuam a desenvolver-se, infinitas formas do mais belo e maravilhoso que há.”.  A tradução de 2013, de Carlos Duarte e Anna Duarte, optou por: “(…) e que, enquanto o planeta girava de acordo com a lei fixa da gravidade, a partir de um início tão simples, um número infinito de formas, as mais belas e maravilhosas, evoluiu e continua a evoluir.”.

A partir da análise dessas variantes, e considerando a intenção original de Darwin de criar um neologismo com o desenvolvimento embrionário (que foi muito criticado por Agassiz!), com uma palavra destacada ao final, fechando o livro, foi sugerida a seguinte frase: “(…) enquanto este planeta gira de acordo com a lei fixa da gravidade, infinitas formas, as mais belas e maravilhosas, tenham iniciado a partir de uma origem muito simples, e mantenham em marcha sua evolução.”, que fecha o livro desta edição de 2018, da EDIPRO.

Sobre a revisão técnica da área de Zoologia do Origem das Espécies

Houve considerável dificuldade em encontrar nomes populares em português para as espécies nomeadas na obra que não ocorrem no Brasil, a começar pela imprecisão que, por vezes, existe no próprio original. Uma obra básica de referência é o livro “Ornitologia”, de Helmut Sick, mas que trata apenas da aves brasileiras. Mesmo assim, ela foi muito útil, por exemplo, para esclarecer questões referentes a aves sulamericanas e migratórias. Com será discutido mais adiante, essa obra foi publicada em 1997, após a publicação da taxonomia de Sibley-Ahlquist (v. adiante), a qual lhe deixou marcas. No entanto, a grande utilidade da publicação é o conhecimento profundo de seu autor dos hábitos e características das aves que descreve com minúcias muito precisas.

Optei por realizar algumas simplificações, por exemplo, ao designar as aves da família dos fasianídeos, dos gêneros Lagopus e Tetrao, que só ocorrem nas partes setentrionais do hemisfério Norte, adotei o nome popular “faisão”, pois é um termo bastante familiar no idioma português. Originalmente, mesmo na língua inglesa, ele se refere a várias espécies, e é mais familiar ao leitor brasileiro, em vez de “lagópode”, “tetraz” ou “galo-lira”, que seriam mais precisos, e conhecidos em Portugal, mas não no Brasil. Outra opção seria chamá-los de “faisanídeos”, pois, de fato pertencem à família Phasianidae, mas isso soaria algo técnico demais, quando, na verdade, trata-se de uma concessão para o leitor leigo

No caso do tetraz, trata-se de um conjunto de espécies de aves galiformes, pertencentes a diversos gêneros, como Tetrao sp e Centrocercus sp, como no caso do tetraz-grande (Tetrao urogallus), que Darwin chama de “black grouse”, e o tetraz-cauda-de-faisão (Centrocercus urophasianus). O nome “faisão preto” pareceu ser mais adequado (pág 103).

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Tetraz grande (esq) e tetraz-cauda-de-faisão (dir), nomes conhecidos em Portugal.

Os lagópodes são igualmente aves galiformes, como o hoje denominado “rock ptarmigan” (Lagopus mutus), que Darwin chama de “alpine ptarmigan”, e “willow ptarmigan” (Lagopus lagopus), que Darwin chama de “red grouse”.

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O “rock ptarmigan” (esq) e o “willow ptarmigan” (dir)

O nome científico do “rock ptarmigan” (L. mutus) indica conhecimento do fato de haver mudança de plumagem ao longo do ano. Habitante de regiões circumpolares do hemisfério norte, tem plumagem de inverno totalmente branca e, no verão, aparecem de plumas tom marrom, sendo que as fêmeas adquirem colorido mais intenso do que os machos. Assim, a tradução de “lagópode-branco”, que aparece em algumas fontes, confere uma ideia errônea de sua cor ao longo do ano, da mesma forma que a tradução “ptarmigar dos Alpes”, que não me parece adequada para o contexto britânico, mas é adotada na França (“lagopède alpin”) e na Alemanha (“Alpenschneehuhn”), onde, de fato, ocorre em regiões alpinas. Assim, foi utilizada a forma “faisão alpino” (pág 102)

O que Darwin chama de “our British red grouse” é considerado, por alguns, como uma subespécie separada (Lagopus lagopus scoticus, Latham), endêmica das ilhas britânicas, mas, como Darwin discute, não havia consenso entre os especialistas. Optei por traduzir o termo por “faisão vermelho” para ambas as formas, sem utilizar a tradução “lagópode escocês” que aparece em algumas fontes .

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Lagópode endêmico das ilhas britânicas, conhecido como red grouse.

Essa subespécie, inclusive seu caráter endêmico, é discutido por Darwin (pg 69), argumentado que poderia ser apenas uma raça da espécie norueguesa. De fato, ele é identificado com a nacionalidade britânica e foi escolhido como nome de um destilado que se gaba de ser genuinamente escocês. Já Lagopus lagopus lagopus, que Darwin diz ocorrer na Noruega, não tem plumagem inteiramente branca no inverno e tem distribuição geográfica mais ampla, compreendendo grande parte da Noruega, Suécia, Finlândia e no norte da Rússia. Acredita-se que esteja sujeito a migrações de inverno nalgumas dessas regiões. Na verdade, existem mais de dez subespécies, desde o norte da Espanha, até a Ásia,

Evidentemente, o faisão propriamente dito (Phasianus colchicus), é bem diferente, mas guarda alguma semelhança. O nome faisão designa mais de dez diferentes espécies, em diversos gêneros, de aparência bem diversa.

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Faisões propriamente ditos, Phasianus colchicus (esq) e Phasianus colchicus torquatus (dir)

 

Em que pesem as notáveis diferenças entre tetrazes, lagópodes e faisões, há certa semelhança, inclusive por serem aves galiformes, e é defensável chamar a todos de “faisões” a fim de facilitar a compreensão do leitor brasileiro da atualidade. Na primeira ocorrência da simplificação foi inserida uma nota técnica explicativa (nota 14, pág. 69).

 

Mais adiante, aparecem nomes científicos de faisões (pág 261), mas eles estão assim no original e foram mantidos tal como aparecem, sem mencionar a nomenclatura atual. Darwin menciona o Phasianus colchicus (faisão comum)e P. torquatus, (faisão coleira) como capazes de produzir híbridos férteis, o que, de fato, ocorre, tanto que hoje essa última é considerada apenas uma diferentes subespécie (Phasianus colchicus torquatus). De fato, os híbridos são comuns e ocorrem em áreas onde ambas as espécies foram introduzidas.

Desde o primeiro ensaio, escrito em 1844, Darwin destaca o ritual de acasalamento do “dancing rock-thrush”. Seu nome foi posteriormente retificado para “rock-thrush of Guiana” em todas as edições do Origin, na seção sobre seleção sexual. O nome aparece traduzido para o português como “melro de rocha da Guiana”, em diversas edições. A confusão se justifica, vez que o nome popular “rock thrush”, na Inglaterra de meados do século XIX, designava a espécie Monticola saxatilis, descrita desde os tempos de Lineu. No entanto, nenhuma espécie dos chamados papa-moscas do Velho Mundo ocorre na Guiana (nem em lugar algum do Novo Mundo!). Ademais, os melros não possuem ritual de acasalamento incomum ou “dançante”. Os melros fazem parte da família Muscicapidae (que quer dizer literalmente“papa-moscas”). Os tordos, agrupados na família Turdidae, ocorrem em todo o mundo, inclusive na América do Sul.

Na verdade, Darwin não se referia a nenhum papa-moscas, mas ao “Guianan Cock-of-the-rock”, ou seja, o galo-da-serra-do-pará (Rupicola rupicola). Essa bela ave da nossa fauna, que tem hábitos alimentares muito distintos dos papa-moscas do Velho Mundo e não pertence nem à família Muscicapidae, nem à família Turdidae.

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Rock-thrush (esq), citado por Darwin, da família Muscicapidae, e “Guianan-cock-of-the-rock” (Cotingidae) , o galo-da-serra-do-pará sulamericano.

A distinção entre as famílias Muscicapidae e Turdidae merece alguma consideração técnica, pois há razoável confusão na literatura, a depender do ano de referência, pois houve grandes mudanças na classificação das aves com o advento de técnicas de Biologia Molecular.

Helmut Sick utiliza como referência a “Check list of North American Birds” de 1983, incluindo os “Turdidae” e “Sylviidae” na família Muscicapidae.

A taxonomia de Sibley-Ahlquist (http://www.birding.in/sibley-ahlquist_taxonomy.htm) também incluiu Turdidae em Muscicapidae. As técnicas moleculares trouxeram muito entusiasmo no início da década de 1990, trazendo a ideia de que as técnicas de hibridização de DNA poderiam resolver definitivamente as discussões taxonômicas. No entanto, em pouco tempo, esse argumento cairia por terra.

A American Ornithologists’ Union e a British Ornithologists’ Union participaram do entusiasmo inicial, mas a discussão metodológica se aprofundou nos anos seguintes e logo arrefeceu todo o furor dos primeiros momentos. Diversos questionamentos metodológicos abalaram as conclusões, o que levou ao abandono total da taxonomia de Sibley-Ahlquist, pelo menos como pretenso ponto final da taxonomia de aves, restabelecendo a família dos papa-moscas do Velho Mundo (comumente nomeados “melros”, em Portugal) como um táxon diverso da família dos “tordos” (comumente nomeados “sabiás”, no Brasil).

No que se refere à família Muscicapidae, diversas classificações recentes retornaram à classificação anterior, como a de James Franklin Clements (1927-2005), BIRDS of the WORLD, A Check List (6th Ed., Cornell Univ. Press, 2008 ), restringindo a família Muscicapidae aos “papa-moscas do Velho Mundo” [140 MUSCICAPIDAE Old World Flycatchers (275)], na qual está incluído o gênero Monticola, e, de maneira separada, a família Turdidae como a dos “tordos e similares” [136 TURDIDAE Thrushes and Allies (176)], à qual pertence nosso conhecido sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris).

Assim se justifica apontar o erro grosseiro da identificação do “dancing rock-thrush” do manuscrito de Darwin de 1844, que depois passou a “rock-thrush of Guiana” no Origin, pois confunde aves muito diversas. O galo-da-serra-do-pará pertence à família Cotingidae, que nada tem a ver com papa-moscas, eis que se alimenta principalmente de frutos, sendo inclusive importante dispersor de sementes, além do extraordinário ritual de acasalamento. Obviamente, os papa-moscas têm dieta muito diversa, e, além disso, ritual de acasalamento nada semelhante. Não há nenhum tordo, melro ou sabiá, ou seja Muscicapidae ou Turdidae (em qualquer classificação), com ritual de acasalamento semelhante ao do gênero Rupicola, da família Cotingidae.

A referência indireta a essas duas famílias está presente desde a primeira tradução portuguesa, vez que o Dr Joaquim da Mesquita Paul, médico de formação, traduziu “thrush” como “melro”, quando referido a membro da família Muscicapidae, e o mesmo termo (“thrush”) como “tordo”, quando referido a membro da família Turdidae, muito antes da modificação da taxonomia de Sibley-Ahlquist, a qual, como dito, não é considerada válida por ornitólogos profissionais associados. A revisão técnica adotou a classificação de CLEMENTS, publicada (postumamente) em 2008.

No entanto, como descrito na nota 22 da página 107, essa confusão na identificação em nada abala o argumento central da seleção sexual, corretamente apontado por Darwin.

Sobre a revisão técnica da área de Botânica do Origem das Espécies

A área de botânica enfrentou igualmente problemas importantes, e devo mencionar a ajuda sempre prestimosa do Dr Paulo Sano, do Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. Tivesse eu certeza de ter incorporado corretamente todas as informações, correções e atualizações por ele feitas, mereceria constar igualmente como revisor técnico desta edição.

Darwin se refere as flores de plantas como ervilha e feijão, que pertenciam a família chamada Papilioniaceae à época. O nome deriva do arranjo das cinco pétalas de sua corola, que lembram uma borboleta. Logo depois da publicação do livro de Darwin, foram propostos outros nomes para a família (Fabaceae ou Leguminosae), que levam em conta a forma dos frutos, e não da flor, e que são adotados ate hoje. Foi o sistema de Bentham & Hooker, que começou a ser publicado em 1862, e é considerado válido até hoje. O título do trabalho é Genera plantarum ad exemplaria imprimis in herbariis kewensibus servata definita, e foi publicado em três volumes, com o último publicado em 1883.Em seu livro de 1868 (Variation…), Darwin passou a utilizar o termo Leguminosae para a família.

Por vezes torna-se difícil entender a utilização do termo “leguminosas”, que aparece duas vezes no texto, mas em outro sentido. Isso acontece na seção sobre Embriologia (pág. 433), quando Darwin inclui as plantas na discussão sobre biologia do desenvolvimento. Ele chama de “folhas embrionárias” as primeiras que aparecem logo após a germinação, realizando uma analogia bem interessante. Assim, ele fala de certas “acácias com filódios” as plantas adultas que, quando pequenas apresentam folhas diferentes, “verdadeiras”, como as “folhas comuns das leguminosas” as quais, nas acácias com filódios, seriam “folhas embrionárias”. Ele fala também do tojo (Ulex europaeus) que tem folhas espinhosas apenas nas plantas adultas. São exemplos preciosos para seu argumento mais profundo, ou seja, que há padrões de desenvolvimento que guardam marcas do desenvolvimento evolutivo anterior. As folhas das plantas jovens do Ulex e das acácias revelariam a morfologia das espécies ancestrais, tal qual nos animais, nos quais embriões e filhotes de espécies aparentadas são muito mais semelhantes entre si do que os adultos das mesma espécies. Antes (pág 110) Darwin fala de algumas “leguminosas” para designar vagamente as espécies com frutos do tipo legume, como era comum entre os botânicos.

As discussões atuais sobre a filogenia da família das leguminosas podem ser vistas na publicação “A new subfamily classification of the leguminosae based on a taxonomically comprehensive phylogeny”, do The Legume Phylogeny Working Group (LPWG), publicada em 2017.

 

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