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Criacionismo x Evolução na educação básica: isso faz sentido?

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Criacionismo x Evolução na educação básica: isso faz sentido?

IMG-2072Quando o novo presidente da CAPES foi anunciado em 24 de Janeiro houve uma reação imediata e internacional. Evidentemente isso não ocorreu por conta de ser uma pessoa que está filiada a certa denominação religiosa, mas pelas declarações recentes em que expressou ideias absurdas e, além de tudo, que incitam práticas ilegais.

A declaração mais chocante fora dada havia algumas semanas, em meio a um congresso criacionista no qual convidados dos Estados Unidos apresentaram propostas de iniciativas que, além de tudo, são proibidas em seu próprio país. Uma delas é a de introduzir o criacionismo nas aulas de ciências desde o ensino fundamental, pois, em suas palavras “queremos colocar um contraponto à teoria da evolução”  com “argumentos científicos” sobre criacionismo nas aulas da educação básica  (matéria de Paulo Saldanha, postada no Blog da Folha de São Paulo na tarde de 24/01/2020).

No mesmo dia, o Núcleo de Apoio à Pesquisa sobre Educação, Divulgação e Epistemologia da Evolução “Charles Darwin”, ligado à Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade de São Paulo, emitiu uma nota oficial contestando essa proposta absurda. A contestação ocorria em oito pontos, em duas frentes: de um lado, do ponto de vista epistemológico, reafirmando que o criacionismo não tem qualquer base científica. Mas, de outro, introduzindo uma denúncia até então pouco ouvida, a de que essa prática educacional, se implementada, é ilegal, uma afronta às leis brasileiras e até à Constituição Federal. Para ver a nota na íntegra, clique aqui —> http://bit.ly/2SnfX4u

A nota logo ganhou a blogosfera, reproduzida por sites como Jornalistas Livres, Esquerda Diário, e outros, rapidamente. Outras entidades, como a Associação Brasileira de Ensino de Biologia (SBEnBio), logo em seguida publicou nota no mesmo sentido, sendo apoiada por outras associações, como o Observatório da Laicidade da Educação, ABRAPEC, SBENQ, ABHR, ANPUH,ANPOF, FORUMDIR, FORPIBID, CEDES e ANPAE. Para ver a nota da SBEnBio clique aqui —> http://bit.ly/3734AE4

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A nota recebeu o endosso de diversas instituições, como o Museu de Zoologia e a Faculdade de Educação da USP.

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Poucos dias depois, a Congregação da Faculdade de Educação da USP aprovou por unanimidade subscrever integralmente a nota oficial. Veja a nota da FEUSP em: bit.ly/2UkbUIN.

A crônica diária reagiu sem demora, e os mais diversos jornais passaram a repercutir a matéria inicial, alguns citando explicitamente a nota oficial do grupo da USP.

 

 

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Até mesmo o editorial da revista Science solicitou uma matéria a seu correspondente no Brasil, Herton Escobar, que redigiu um curto artigo, de grande repercussão logo em seguida.

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Na semana seguinte, em 28 de Janeiro, o assunto ganhou mais de quatro minutos no Jornal Nacional, o noticiário mais assistido em todo o país, que deu destaque para a nota oficial do núcleo de pesquisa da USP. A matéria do JN você pode ver aqui —>https://globoplay.globo.com/v/8273798/

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O apoio de cientistas e educadores trouxe a certeza de que a ideia proposta é absolutamente ilegal, e isso é reconhecido até mesmo pela Frente Parlamentar Evangélica: basta verificar em seu manifesto por uma “Revolução na Educação”, lançado no fim de 2018. Nele, em meio a referências a ameaças da “União Soviética” e outras sandices, inclusive sobre o suposto “esquerdismo da CAPES”, não há nem uma única palavra sobre a introdução do criacionismo na educação básica “como contraponto à teoria da evolução”.

Como dizia a Nota Oficial do EDEVO-Darwin/USP, se implementada, essa prática ofende a Constituição Federal. A matéria foi endossada por votação unânime pela Congregação da Faculdade de Educação, que tem um departamento especializado em legislação educacional, assunto pouco estudado em faculdades de Direito.

Mas, como enfrentar esse assunto em sala de aula? Essa pergunta é comum entre professores de Ciências e Biologia. Algumas dicas podem ser vistas na entrevista que você acessa aqui —> bit.ly/2RWEAGp.

Mas a história por trás dessa iniciativa foi explorada pelo portal Esquerda Diário, indo mais a fundo nas lutas políticas que existem no seio de uma federação de denominações religiosas estadunidenses, financiadas por petroleiras texanas e congêneres. Elas agradecem por negar a evolução e… a ideia de que o clima está mudando rapidamente devido ao acelerado acúmulo de gases do efeito estufa. A entrevista completa você encontra aqui —> http://bit.ly/2v7XS2g

A partir dessa repercussão toda, as comemorações do Dia de Darwin ganharam força e prometem bater recordes em 2020. Se Deus quiser!

 

 

 

 

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